Medio ambiente
A Lousa, médio século de resistência

Umha mina a céu aberto reconvertida em lago artificial, umha central térmica, um gigantesco armazém de carvom, a maior planta incineradora de resíduos da Galiza, torretas e linhas de alta tensom, e agora um parque eólico com megamoinhos com pás de 150 metros de diámetro… Nom é nem Springfield nem nengumha aldeia gaulesa, é a Lousa, nas Encrovas.

Galiza A Lousa
LOUSA. Na foto a Central Térmica e o parque de carbón Carlos Calvo
11 mar 2020 13:00

A aldeia da Lousa é o mais parecido a umha dingzihu galega, umha dessas casas chinesas que resistem, como se estivesse cravadas ao chao, ao brutal avanço do capitalismo. Todo o mundo conhece a história da luita das Encrovas —a freguesia do concelho de Cerzeda à que pertence a Lousa— contra Fenosa, um dos mitos fundacionais do nacionalismo moderno, mas nem toda a gente sabe que o conflito nom rematou, nem muito menos, naquela afastada década de 1970. À contínua expropriaçom das terras para a mina seguiu a construçom da mal chamada Central Térmica de Meirama e as suas emissons contaminantes, a posta em funcionamento no ano 2000 da planta de Sogama, o caminho-de-ferro para o transporte do carvom importado desde o porto da Corunha, a reconversom da mina em lago, as linhas de evacuaçom de alta tensom e de abastecimento do AVE e, agora, um projeto de parque eólico da Naturgy que rodearia as aldeias que conseguírom sobreviver às anteriores desfeitas e com o que a empresa espera continuar a incrementar os seus lucros.

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Domingo, o seu irmao, emigrara a Ferrol antes de começar a trabalhar a central, mas voltava a passar todas as fins-de-semana à casa familiar da Lousa, e ainda lembra o impato da primeira noite que passou ali desde que a central começara a trabalhar: “Nom durmim em toda a noite do ruido que fazia, e nom entendia como os meus irmaos eram capazes de durmir. À segunda já durmim. Adaptas-te a todo...”. Também lembra o medo que ao princípio havia às doenças que podia ocasionar o pó, “polo que se escuitava do carvom das Pontes”, ou que havia que lavar muitíssimo a verdura para poder comê-la. As imagens das línguas das vacas negras som as mais lembradas. Isto botava para trás a alguns vizinhos à hora de aceitar os postos de trabalho. “Entom nom se sabia que eram tam bons, mas depois houvo gente do Mesom do Vento que pagava até um milhom de pesetas ao que lhe pudera conseguir um posto de trabalho na central”. Ainda assim, os postos mais especializados era cobertos por gente que vinha de fora com mais formaçom. Até esse momento “todas as casas eram labregas. Nós tinhamos três ou quatro vacas, umha parelha de bois… Seriamos como umha dúzia de pessoas a viver na nossa casa e, em total, havia na lousa dezasseis casas, das que só restam onze hoje”.

O dia a dia. A casa de David Candal, já reformado, está a uns cem metros do parque de carvom da central térmica, umha imponente obra de engenharia de mais de oitocentos metros de longo destinada a acumular o minério. “Esta semana a chaminé volveu a fumegar. Dizque ainda tenhem que queimar todo o que tenhem armazenado”, di David ao perguntar-lhe polo feche definitivo da central térmica. Fala com nós na cozinha, onde as duas grandes chaminés estám omnipresentes, como duas criaturas a dormitar. Também se vem os castanheiros da eira, agora deformados como eivados de guerra por umha poda recente. “Tivemos que cortar-lhe as polas mais altas, por culpa da linha”. Refere-se aos cabos de alta tensom que abastecem a linha dum trem que já nom para em Cerzeda e que, haverá três ou quatro anos, lhe passárom justo por riba da casa. “Quando mais zoa é quando orvalha ou se há algo de névoa”. Desde a porta o bruido eletromagnético sente-se ameaçante. Ainda, se coincide que o vento vem da costa também aparece o intenso cheiro procedente da planta de Sogama, situada em Morçós, a aldeia vizinha. Como é que ainda encontram sítio para colocarem-lhe um aerogenerador de cento cinquenta metros de diámetro a David ao lado da casa?

1974, começa tudo

Depois de que o Conselho de Ministros presidido por Franco declarara as Encrovas “zona preferente de exploraçom mineira”, nada voltou a ser igual numhas das paróquias mais férteis e povoadas da comarca de Ordes. O conflito famoso, o de 1977, nom afetara ta m diretamente à Lousa como às aldeias da Baixa das Encrovas, pois nom havia lignito pardo baixo as suas casas e o lento mas imparável aumento do burato (“o olho do cu do Sauron”, como lhe chamam os Dios ke te Crew em “Benvido a Mördor”) nom conseguiu enguli-las, como si fijo com Gontom, a Quintám e tantas outras. Porém, a aldeia fora a localizaçom escolhida para a instalaçom da fábrica. De feito, a central levou por diante um lugar de grande valor ritual para a aldeia: o Marco das Eiras —ou das Bruxas—, umha enorme rocha de seixo branco que divide três paróquias (Encrovas, Súmio e Ardemil) e três concelhos (Cerzeda, Carral e Ordes), ao qual se ia recolher pó da pedra para curar certas doenças do gado. Ao parecer a vizinhança chegara aginha a acordo para a venda de terras, mas também se produziram casos tam ultrajantes como o de Antonio Croque, ‘António do Cardador’, a quem a mina comprara as terras e a casa familiar porque supostamente estavam ao pé do que seria a futura central, para depois reubicá-lo numha casa justo ao ladinho do parque de carvom.

O conflito famoso, o de 1977, nom afetara ta m diretamente à Lousa como às aldeias da Baixa das Encrovas, pois nom havia lignito pardo baixo as suas casas e o lento mas imparável aumento do burato nom conseguiu enguli-las

Com a apertura da mina criou-se um proletariado simbiótico de vizinhos que, à vez que mantinham na casa a produçom agrária tradicional, eram também assalariados de Limeisa. Era o caso de Antonio Castro e Manolo de Estrella, os primeiros em protestar polos inconvenientes que a empresa estava a causar na Lousa. Essa condiçom de assalariado à vez que afetado resultava mui útil para inibir os protestos, sobretudo nos casos em que mais se dependia do salário da mina. A empresa sabia-o e utilizava-o como estratégia. Juan Castro, filho de Antonio, lembra mui bem como o seu pai, já falecido, contava a vez que a diretiva o citara a umha estranha reuniom à Corunha. Ali, nos escritórios de Limeisa, seis diretivos receberam-no com aberta hostilidade, sentando todos ao redor dele, em círculo. “Como umha máfia. A citaçom era para ameaçá-lo com o despido se nom calava a boca, mas o meu pai nom calou”. Começava umha carreira de fundo, em que os vizinhos da Lousa jamais contárom com a ajuda do concelho, governado por um PSOE local perfeitamente simbiotizado com as indústrias poluintes. Foi a vizinhança a que pagou do seu peto, desde os anos 80, contínuas análises da qualidade dos aquíferos, da poluiçom do ar, dos verquidos tóxicos, etcétera, acumulando umha importante base de dados que deu peso científico aos seus argumentos.

Um intenso 2007

“No 2007 começou-se a perder o medo”, afirma veementemente tranquilo Juan Castro, um dos motores da Associaçom de Vizinhos da Lousa A Outra Cerzeda. Sentado à beira do lume vai lembrando aquele ano, especialmente intenso, em que já nom aguentárom mais. No 2 de fevereiro chamaram a negociaçons às autoridades de Limeisa para resolverem os problemas da aldeia derivados da atividade da central, e estes e respondêrom enviando representantes à eira da casa de Lola, ainda que sem lhes outorgarem nengum poder de decissom. Num momento de tensom, os vizinhos encerraram-se com os três representantes que enviara a empresa. Algo grave estava a suceder. Em pouco tempo a Lousa viu-se tomada por antidistúrbios da guarda civil enquanto a televisom local de Cerzeda fazia um apagom informativo e o alcalde se negava a colher o telefone das pessoas encerradas. “Chamamos à concelheira da paróquia”, conta Juan, “e dixo-nos que estava na Corunha de compras e nom podia vir. Só vinhêrom Rocío da Igrexa e Emi Candal, as concelheiras nacionalistas, as únicas que dêrom a cara”. A tensom era máxima, mas resolveu-se bem. Kiko Novoa, entom um jovem jornalista, decretaria “batido o récord de rapidez em ativar-se a sindrome de Estocolmo”. Os da Lousa só queriam forçar o diálogo que lhes vinham negando, e os hóspedes foram alimentados com chouriços da casa na mesma lareira em que Juan narra o sucedido. “Esse dia havia mais bastons que pistolas, a média de idade devia superar os 60 anos, nós o único que queriamos era que sentaram a falar com nós para rematar dumha vez com os problemas da contaminaçom diária”. Mas as negociaçons aginha racharám com umha empresa que nom estava disposta a solucionar nada e que vinha realizando falsas promessas desde 2003.

Durante todo esse ano sucedem-se as emissons contaminantes das chaminés, destruindo cultivos e fazendo temer pola saúde das pessoas. As vizinhas organizam roldas nocturnas para vigilarem as emissons, a imprensa fala de chuva de folerpas estremadamente ácidas, e as análises dos restos que aterram nas leiras falam de algas mesturadas com cemento procedentes da torre de refrigeraçom. A Lousa perdeu o medo e está em guerra. As vizinhas ponhem os seus coletes amarelos com o símbolo da associaçom e estám permanentemente mobilizadas, dam conferências de imprensa, colocam faixas —“A nossa uniom frente a Uniom Penosa”—, recolhem abaixo-assinados, reunem-se com todas as autoridades que aceitam recebê-los (e com as que nom, como Limeisa, intentam forçá-las ocupando os escritórios e deixando sacas de carvom junto com berzas e milho afetados), realizam cortes de tráfico, praticam a dessobediência civil e atravessam caminhos públicos ocupados pola mina… Esta ultima açom acarretará-lhes um juízo mais, declarando que “estávamos a dar um passeio polo rio e o castro”.

Num momento de tensom, os vizinhos encerraram-se com os três representantes que enviara a empresa. Algo grave estava a suceder. Em pouco tempo a Lousa viu-se tomada por antidistúrbios da guarda civil enquanto a televisom local de Cerzeda fazia um apagom informativo e o alcalde se negava a colher o telefone das pessoas encerradas.

Em setembro Maria Pardo, em nome da associaçom de vizinhos, apresenta-se na casa-quartel de Ordes para denunciar novamente a chuva de carvom em pó na aldeia, mas o agente da guarda civil nom só se negou a tramitar a denúncia, se nom que denunciou pessoalmente à denunciante por “dessobediência à autoridade”. Levado o caso a juízo em Ordes, a Fiscalia pediu umha multa de 360 euros e o pagamento dos custos. Durante a sessom o guarda civil negou-se a contestar às perguntas do advogado da defesa, alegando nom compreender o galego. Nas portas dos tribunais, a vizinhança da Lousa apoiava à sua vizinha com umha faixa na qual se podia ler “Imos denunciar. Saimos denunciados. Fenosa culpábel”. Nessa mesma semana os da Lousa também se achegam a Mugardos, para participar das mobilizaçons contra a planta de Reganosa. “O nosso laço de uniom é Fenosa”, declarava um dos vizinhos.

Com o feche definitivo da mina preparado para o remate de ano, os problemas ficavam longe de rematar-se, pois a companhia anunciava que substituiria a queima do lignito pardo local por umha outra variedade, ainda mais poluinte, procedente da mina de Kangra Coal, em África do Sul. As vizinhas inteiram-se em setembro, e começam a fazer guarda diante da central para se poderem entrevistar com os diretivos que, mais umha vez, nom dam a cara. Para novembro iniciam a estratégia da divisom, propondo comprar a metade das casas da aldeia, mas a vizinhança exige “umha soluçom comunal”. No meio dessa tensom descobrem que a Limeisa vem operando com umha licença provisória desde finais dos 70. O ano rematara com a pior chuva de pó ácido que se lembra, amanhecendo a Lousa com um espeso manto branco composto de cinzas e metais pesados que a chaminé expulsara de noite.

E agora os eólicos

María Pardo Barbeito, também conhecida como Maruja da Lousa, é umha das grandes referentes das Encrovas: ativista vizinhal, do Sindicato Labrego Galego e pandereteira. A sua empresa familiar, Horta da Lousa, combina a horticultura de variedades autóctones com a cria de terneira galega suprema. O “projeto eólico de Meirama” planeia instalar-lhe um aerogenerador a menos de 400 metros da casa e dos cultivos, ainda que o já ex-alcalde José Liñares (agora inabilitado por um delito de prevaricaçom) insistia em perguntar-lhe “que mal vos fam os eólicos? Em que vos estorbam?”. “As vizinhas nom lhes importamos nada”, explica Maruja, “e agora os políticos compram todo com postos de trabalho”. A sua casa e mais a do seu vizinho som as duas últimas que tenhem vacas na Lousa, outrora umha aldeia completamente labrega. “Desde que começárom a machacar com esse discurso de que as pequenas granjas nom som competitivas, que havia que sacá-las, fôrom deixando o rural sem serviços, sem escolas, sem nada”. O seu filho Néstor, contudo, nadou a contracorrente deixando um trabalho de informático na cidade para pôr-se à fronte da horta familiar, que já está ser reconhecida como exemplar em muitos aspectos, mas cujo futuro agora periga por mor dos interesses da Naturgy. A instalaçom dos aerogeneradores nom só afeta ao terreno que ocupam diretamente, se nom que acarretam a requalificaçom do solo agrário em industrial (podendo pôr em risco as ajudas da Política Agraria Comum), e mesmo poderia dificultar a certificaçom ecológica das exploraçons que assim o solicitem. Para Jéssica Rey, presidenta do coletivo Salvemos a Comarca de Ordes, que organizou umha assembleia com a vizinhança das Encrovas no passado mês de novembro, este projeto é “abussivo”, e “tem umha suspeitosa continuaçom” com os projetos de parques eólicos chamados de Encrovas e do Xalo. “Deste jeito a promotora consegue informes de impatos ambientais separados, que som sempre menos prejudiciais que se analisamos o impato em conjunto”. Rey denúncia que estas grandes empresas sejam as mesmas que pedem que “nom se estimule a produçom própria de eletricidade para autoconsumo, que seria o mais sustentável, junto com um plano de reduçom de consumo elétrico”, e em vez disso promovam projetos baseados em “infraestruturas enormes que hipotecam o futuro das nossas aldeias: fam-nos mais pobres e aceleram o despovoamento”. Para Xosé Antón Bocixa a consigna na nova batalha que se está a dar contra os eólicos da Naturgy está mui clara: “Que levem os eólicos longe das nossas terras produtivas e das casas. Que nos deixem em paz!”. De momento a vizinhança está mobilizada e com intençom de dar a batalha, após apresentar as primeiras consideraçons ao projeto e preparando a defesa.

Para Xosé Antón Bocixa a consigna na nova batalha que se está a dar contra os eólicos da Naturgy está mui clara: “Que levem os eólicos longe das nossas terras produtivas e das casas. Que nos deixem em paz!”

A Marcha pola Memória das Encrovas leva três anos realizando-se. Começou para comemorar o 40 aniversário da luita, e agora continua. Neste ano fijo-se na Lousa, e contou com a presença de gente das luitas do Iríbio, de Touro e do Pino, do Ulha, et cétera. Um dos organizadores, Xosé Antón Bocixa, a voz das bandas sonoras contra a desfeita de Zënzar e diretor do documentário Encrobas: a ceo aberto, explica que “denunciamos o abandono das instituiçons, ganhamos no imaginário coletivo para afrontar novas luitas contra o neoliberalismo que continua a agredir monstruosamente o planeta e as pessoas”. Na última marcha, que se realizou no passado 29 de setembro, a ninguém se lhe escapava que a presença de tanta gente, de tantas partes e de tanta cultura era motivo de orgulho para as nativas, mas foi realmente maravilhoso quando as mais velhas, após passarem toda a jornada escuitando discretamente, se figêrom com a pista de baile e começárom a cantar e a dançar, umha e outra vez, as cançons de quando ainda existiam as Encrovas. Ali, nesse círculo maioritariamente feminino e octogenário, animado pola alegria de estarem juntas e eletrizado com o ponto picante do cantar de cego “História de Manuel do Campo”, flui umha energia especial: a força da comunidade.

Maruja da Lousa, já dumha geraçom de pandereteiras mais nova, também insiste nessa forte sentimento de uniom. “Todos os domingos venhem à missa das Encrovas muita gente que já nom vive aquí, e depois quedamos à saída falando no adro. Botamos mais tempo falando fora do que dura a missa (ri)”. Umha vintena delas continuam a juntar-se todas as semanas para bailar e tocar. Tivêrom de professora a María Xosé Silvar ‘Sés’; e conseguírom impressioná-la.
Na Lousa permanece outro dos espaços importantes para a criaçom e recriaçom da identidade das Encrovas, sobretudo entre a mocidade: o campo de futebol das Tinaxas. Nele jogava e treinava o Encrobas CF, fundado em 1987, como umha sorte de filho póstumo da paróquia, e mantido até a temporada 2017-2018, quando umha diretiva com umha média de idade que nom chegava aos 30 anos tem que deixar o clube por falta de relevo. Nesses anos a consigna “fura, fura, que Encrovas dura”, ideada nos anos da resistência, perpetuou-se como lema futebolístico. Ultimamente rondava a ideia de criar umha equipa de veteranos, mas o anterior alcalde pujo travas a que se continuasse a usar o campo. 

ANtecedentes e continuidades
A Lousa foi deixando exemplos de resistência todo ao longo do século XX. Devia haver gente da aldeia na Agrupaçom Socialista Obreira das Encrovas, registada em 1933, e também no Sindicato de Profissons Várias e Campesinhos da Vrea, domiciliado na aldeia contígua. Também nos fortes protestos de abril de 1933, quando os labregos das Encrovas e Ardemil pararam as obras do caminho-de-ferro, exigindo serem contratados para as mesmas, e dissoltos brutalmente pola Guarda Civil. Nom em vam, toda essa área fora zona de influência da anarquista Uniom Campesina, que começara a organizar o agro em 1907. Após o golpe de estado de 1936, o pulo auto-organizativo recuperou-se através das sociedades de socorro mútuo do gado, fundando-se na década de 1960 umha própria na Lousa, a chamada ‘La Primera’, à margem da paroquial das Encrovas, ainda que nom tivo muita continuidade. O investigador David Fontán Bestilleiro, que está a preparar o trabalho Dinámicas de mobilização, organização e resistências na paróquia de Encrovas durante o século XX, destaca as “continuidades entre as diferentes luitas” que se fôrom dando na paróquia, “e nom só de jeito simbólico”.
A atual associaçom de vizinhas da Lousa, ‘A Outra Cerzeda’, passou “muito tempo a conversar com os membros das comisões do 77 (na Quintám e arredores) e dos 90 (em Gontom) e que aproveitaram muita informaçom que eles lhes passavam. Até contrataram o mesmo avogado. Por outro lado, também é bonito ver como se luitou polos que virám, mas também (e acho que ainda mais) polos que já foram, polos velhos”. O símbolo da associaçom nom pode ser mais eloquente: a boina de Moncho Valcarce, ‘o cura das Encrovas’ e o guarda-chuvas das mulheres negando a chaminé da central térmica. “Somos a semente de Moncho”, afirma emocionado Juan da Lousa. “Ainda hoje, quando nos reunimos, todo o mundo di ‘Moncho fazia assim’, ‘Moncho sempre dizia assim’… Para nós é umha referência. E Maruja também”.

 

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